Dia Mundial da Alimentação: o desafio de comer bem na escola

Outubro 22, 2026

No dia 16 de outubro assinalou-se o  Dia Mundial da Alimentação, numa altura em que muitos países estão a adotar legislação para garantir refeições mais equilibradas e de melhor qualidade nas cantinas escolares. De facto, o almoço na cantina é, muitas vezes, a principal refeição do dia e uma oportunidade para as crianças em pleno crescimento terem uma refeição adaptada às suas necessidades e, ao mesmo tempo, aprenderem a comer bem!

Segundo as estatísticas do Programa Alimentar Mundial, pelo menos 466 milhões de crianças em todo o mundo comem na cantina escolar, um número que aumentou 20 % em cinco anos. Isto deve-se, entre outros fatores, à iniciativa de organizações como a Coligação para a Alimentação Escolar, uma organização multinacional que pretende que, até 2030, todas as crianças possam ter uma refeição quente, saudável e equilibrada durante o dia de escola. O objetivo é promover o acesso dos mais novos a uma alimentação equilibrada, para que possam crescer com saúde, e evitar que os números da obesidade entre crianças e adolescentes continuem a aumentar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sublinha a urgência desta ação: em 2025, cerca de 1 em cada 10 crianças em idade escolar e adolescentes — ou seja, 188 milhões de pessoas — tinha obesidade em todo o mundo, ultrapassando pela primeira vez o número de crianças com baixo peso. Perante esta realidade, a OMS apela às escolas que adotem uma abordagem global para garantir que os alimentos e bebidas oferecidos são saudáveis e nutritivos, lembrando que a nutrição em meio escolar é essencial para prevenir doenças e garantir uma melhor saúde na idade adulta.

Alguns exemplos internacionais

Nos últimos anos, muitos países adotaram legislação para promover refeições mais equilibradas nas cantinas escolares e evitar os produtos ultraprocessados e os alimentos com demasiada gordura, sal ou açúcar. Em alguns países, como o Reino Unido, a campanha é liderada por várias figuras públicas, entre as quais o chef Jamie Oliver, que há mais de 20 anos faz deste tema uma das suas grandes causas. Em setembro de 2026, foi aprovada legislação para rever a organização das ementas escolares e incluir mais produtos frescos e equilibrados, respondendo assim aos pedidos das crianças, dos pais e dos professores. Em Espanha, um decreto que entrou em vigor na primavera de 2026 impõe critérios e quotas para promover os produtos frescos e estabelece limites nutricionais por porção, num país onde 15,9 % das crianças dos 6 aos 9 anos têm obesidade.

Na América Latina, onde os números mostram que quase um terço das crianças tem obesidade ou excesso de peso, várias iniciativas nacionais procuram reduzir as refeições industriais e o acesso a bebidas açucaradas nas escolas, seja no Brasil, no México ou na Colômbia. Estas ações ainda estão em fase de projeto, numa região do mundo onde as crianças que beneficiam das cantinas escolares são mais numerosas: mais de 80 milhões em 2026. As iniciativas nacionais e multinacionais, como as da RAES, são, por isso, essenciais para promover o acesso a refeições escolares mais saudáveis.

Infelizmente, por vezes esta tendência tem dificuldade em manter-se, devido a questões políticas, logísticas ou financeiras. Foi o que aconteceu recentemente na Irlanda e na Bélgica, onde os projetos de refeições escolares quentes foram suprimidos ou alterados.

A importância do almoço

Verdadeira pausa a meio do dia, esta refeição é fundamental, tanto para as crianças como para os adultos, como lembra Juliana Cohen, professora de nutrição em Harvard. Trata-se de alimentar o corpo e o cérebro para aprender nas melhores condições. Para além da questão da obesidade e do excesso de peso, é a saúde física e mental que depende deste almoço.

Alimentação saudável, atividade física e bem-estar mental

Tanto na cantina como em casa, uma alimentação saudável, uma atividade física regular e o bem-estar mental são os pilares fundamentais para prevenir a obesidade e adotar hábitos duradouros. É precisamente para apoiar estes desafios e acompanhar as famílias que o BNP Paribas Cardif se empenha na saúde das crianças, através dos seus programas de prevenção e da partilha de recursos nesta plataforma.