PARA ENTENDER MELHOR O IMC

Fonte: BNP Paribas Cardif e Hospital Universitário de Rouen-Normandie

O que é o índice de massa corporal?

Desenvolvido no século XIX, o Índice de Massa Corporal (IMC) é uma medida utilizada atualmente para calcular a corpulência de uma pessoa. É uma ferramenta rápida e fácil, definida como o peso de uma pessoa em quilogramas, dividido pelo quadrado da sua altura em metros (kg/m2). Por exemplo, um adulto que pese 80 kg e meça 1,80 m terá um IMC de 24,7.

A utilização do IMC

Inicialmente, o IMC era utilizado pelas seguradoras para medir o risco de mortalidade. Na década de 1970, estudos evidenciaram o fato de o IMC não só fornecer uma estimativa da corpulência, mas também uma classificação do estado nutricional de uma pessoa, desde a magreza até a obesidade. Os dados necessários para calcular o IMC são muito fáceis de obter, o que torna esse índice fácil de calcular e confiável, razão pela qual é tão amplamente utilizado.

O IMC pode ser um dos critérios de diagnóstico da subnutrição, pois um IMC inferior a 18,5 constitui um risco de subnutrição. A subnutrição ocorre quando a ingestão de alimentos é insuficiente para cobrir as necessidades nutricionais. Resulta na perda de peso e na redução significativa da massa muscular do corpo, que pode estar na origem de uma série de complicações associadas a diferentes funções corporais: musculares, imunes, digestivas, etc

No entanto, um IMC baixo não indica necessariamente subnutrição. A literatura científica fala de magreza constitucional quando uma pessoa tem um IMC baixo (<18,5) sem a presença de um transtorno alimentar (restritivo) e sem desregulações biológicas associadas (ex.: amenorreia: ausência de menstruação). De acordo com os estudos da OBEPI, 4% da população francesa pode ser afetada pela magreza constitucional.

Do mesmo modo, um IMC normal ou elevado não exclui a possibilidade de subnutrição, especialmente nos casos de perda de peso rápida e significativa.

Quais são os limites do IMC?

No entanto, a utilização do IMC como marcador do estado nutricional tem uma série de limitações, principalmente porque o IMC não leva em conta os vários fatores que podem afetar o peso e o risco para a saúde.

O IMC refere-se ao peso total de um indivíduo sem distinguir entre a percentagem de massa magra (músculo) e de massa gorda. Contudo, para o mesmo peso, uma percentagem mais elevada de gordura corporal representa um risco aumentado para a saúde, especialmente de doenças cardiovasculares e câncer.

Outra grande limitação do IMC é o fato de ele não em consideração a distribuição da gordura corporal. A distribuição da gordura corporal desempenha um papel importante no risco de complicações cardiovasculares e metabólicas (ex. diabetes). Estudos demonstraram que uma acumulação de gordura na zona abdominal é mais arriscada do que uma acumulação de gordura noutras zonas do corpo, como as coxas (para um IMC equivalente).

Além disso, fatores como a idade, o sexo e a origem étnica podem influenciar o IMC

Eis alguns exemplos de como certas variáveis podem influenciar a interpretação do IMC:

  • As pessoas de origens étnicas diferentes não têm a mesma composição corporal. Por exemplo, a percentagem de gordura corporal é mais elevada nas populações da Ásia Oriental do que nas populações ocidentais para a mesma idade, sexo e IMC. No Japão, por exemplo, o limiar ideal para detectar a obesidade foi fixado em 25.
  • Em média, as mulheres têm uma percentagem de gordura corporal total mais elevada do que os homens.
  • Em caso de desidratação, o IMC pode diminuir, e em caso de edema (acumulação de líquido nos órgãos) ou ascite (líquido no abdômen), pode aumentar, mas isto não representa a presença de gordura corporal e, portanto, não se traduz necessariamente em obesidade.
  • Os atletas de alta performance podem ter um IMC elevado devido ao aumento da sua massa muscular. O excesso de peso reflete a abundância de massa muscular e não uma acumulação de gordura, que não terá as mesmas repercussões na saúde.

Embora seja confiável para os adultos, a utilização do IMC pode, se necessário, ser complementada por uma avaliação efetuada por um profissional de saúde qualificado.

O IMC pode ser complementado por outras medições para estabelecer o perfil nutricional de uma pessoa, como o perímetro da cintura, a relação cintura/quadril ou cintura/altura, ou a porcentagem de perda de peso. Além disso, técnicas de imagem, como a DEXA (absorciometria de raios X de dupla energia) e TC abdominal, permitem medir com maior precisão a percentagem de gordura corporal e a sua distribuição pelo corpo.

  • Por último, a bioimpedância é também um método simples e indolor de calcular indiretamente a composição corporal ao enviar uma corrente elétrica fraca através do corpo. Isso acontece porque a corrente circula mais lentamente no tecido adiposo do que no músculo, dando uma estimativa da percentagem de massa gorda e de massa magra.

→ Esses métodos de imagem raramente são utilizados na prática clínica porque são muito caros e não são indispensáveis a princípio.

  • Nos adultos com menos de 70 anos, embora o IMC possa ser influenciado por vários critérios, como o sexo, a origem étnica ou situações clínicas particulares (ex. edema, gravidez), continua a ser particularmente confiável e útil na prática quotidiana.

No entanto, é importante salientar que a interpretação do IMC não é a mesma para as crianças/adolescentes e para os idosos.

E quanto ao IMC nas crianças e adolescentes?

A utilização do IMC também é recomendada para crianças e adolescentes, mas com limites diferentes. Considerando que a infância e a adolescência são períodos importantes de crescimento e que a quantidade de gordura corporal muda rapidamente com a idade e o sexo, os valores de IMC utilizados para definir o baixo peso, o excesso de peso e a obesidade nas crianças e nos adolescentes são diferentes dos dos adultos e variam conforme a idade e o sexo.

Para saber mais, fale com o seu médico de família ou consulte as curvas de peso na caderneta de saúde da criança.

E quanto ao IMC nos idosos?

Nos idosos (>70 anos), o risco de obesidade sarcopênica (obesidade associada à subnutrição caracterizada por uma perda de massa muscular) aumenta. Nessa população, a obesidade pode ocultar mais facilmente a subnutrição, e, por isso, o IMC não é suficiente para avaliar o estado nutricional. A obesidade sarcopênica pode ser detectada por questionários e/ou a medição da força de preensão. É também por essa razão que o limite do IMC associado a um risco de subnutrição aumenta com a idade, passando a ser de 22 para as pessoas com mais de 70 anos

Conclusão

O IMC é um instrumento de diagnóstico confiável para a população em geral, mas a sua utilização deve ser complementada por outros indicadores (massa magra/gorda, perda de peso, etc.) em determinadas situações (patologias, idosos, etc.).

Além disso, é importante salientar que o IMC não antevê de forma alguma o comportamento alimentar. Na realidade, uma pessoa com um IMC normal pode ter um transtorno alimentar. Por isso, se tiver problemas com a alimentação ou com o seu peso, não deixe de consultar o seu médico de família.

Um estudo científico propôs recentemente um IMC biológico que, tal como o IMC tradicional, levaria em conta os dados antropométricos (peso/altura), bem como os dados biológicos (glicemia, colesterol, etc.), no sentido de otimizar a confiabilidade da utilização do IMC, independentemente da situação clínica (idade, patologia, etc.). São necessários mais estudos nesse domínio.